Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Setembro 04 2011
 
Parabéns, querido Amigo, por esta justíssima distinção
 
Maria Ivone Vairinho
Sócia Honorária da APP
 
 
 
publicado por mariaivonevairinho às 01:27

Dezembro 18 2010

NOITE DE INVERNO 

 

Deram agora as doze badaladas.

Pla rua fora há vento às rabanadas.

A chuva com cortinas balouçantes

Dá um banho de graça ao arvoredo

E a terra não é seca como dantes.

Rebentam os trovões, que metem medo,

Os raios caem lá longe, distantes,

Como uma estória fraca, sem enredo.

 

E eu que faço nesta noite fria,

Na casa solitária, tão vazia?

Fechados os salões, como as janelas,

Sem luz nos corredores, às escuras,

Retratos nas paredes, de amarelas

Faces, cavadas, baças, nas molduras.

De antigos habitantes são as telas.

É triste ver assim essas figuras

Sem a honra de flores e de velas!

 

Permanece a quietude na cozinha,

Onde tanta mulher foi a rainha.

Quantas rezes se assaram no fogão,

Nesse espeto de ferro ao abandono!

A bateria em cobre e em latão,

Ao longo da parede, em fundo sono,

Há muito que ninguém lhe põe a mão.

São animais perdidos, sem ter dono.

 

Os quartos, ladeando o corredor,

Há muito estão vazios, sem calor.

Na cama de dossel, colcha perfeita,

Nas paredes exótico brocado,

Espelho de cristal que tudo enfeita,

Rico aposento que é mal empregado,

Porque de há muito ali ninguém se deita.

E tem outros assim por todo o lado.

 

Na sala de jantar, a longa mesa

Ostenta o esplendor da realeza.

A baixela de prata, já sem brilho,

Os pratos da mais fina porcelana

E os copos de cristal são estribilho

De um triste fado sobre a dor humana.

Sei que um dia alguém vai, de afogadilho,

Vender tudo e fechar a persiana.

 

O temporal, lá fora, continua

E não se vê vivalma a andar na rua.

As chamas da lareira, bailarinas,

Forçam minha memória enevoada

A chamar as figuras femininas

Que adornaram de aromas minha estrada,

Os amigos, parceiros das rotinas,

E quem mais encontrei na caminhada.

 

Já devo estar chegando à minha meta

E a satisfação não está completa.

O que aprendi já não serve a ninguém.

Foi perdido ao findar a profissão.

Meu fim de vida está a correr bem,

Para queixar-me não tenho razão,

Mas neste triste lar sinto, porém,

Ser náufrago a nadar na solidão.

 

 

 

Faro, 6-12-2010         01h04

Tito Olívio

publicado por appoetas às 21:31

Novembro 07 2010

 

 

DESENCANTO

 

 

 

Talvez que eu não devesse olhar pra ti,

Nem dar-te meus floridos pensamentos,

Passear como louco nos conventos,

Em cujos corredores me perdi.

 

As mil palavras lindas que escrevi

Em brancas folhas, de altos sentimentos,

Tornaram-se punhais desses tormentos,

Que por desilusões tanto sofri.

 

E podia enfrentar ventos medonhos

Nas ondas pardacentas dos teus sonhos,

Rastejar por caminhos e sendeiros!…

 

Para quê, afinal, meu Santo Deus,

Se teus olhos brilhantes são ateus

E desta fé por ti fogem ligeiros?

 

 

 

Faro, 15-10-2010        01h40

Tito Olívio

publicado por appoetas às 02:43

Novembro 07 2010

"Postal do Algarve", de 28 de Outubro de 2010 (Tavira)

 

ALGARVE MAIOR

100 personalidade e 100 entidades

 

JÁ ESTOU NOMEADO

 

Obrigado a todos os amigos que votaram em mim

 

Tito Olívio

 

Parabéns, caro Eng. Tito Olívio. A APP sente-se muito honrada por o ter como Associado.
Maria Ivone Vairinho
Presidente da Direcção da APP
publicado por appoetas às 02:20

Agosto 07 2010

 

MULHER DE FOGO

 

Tito Olívio

 

Eu via só vermelho, aquele fogo.

Incandescente Sol, como luzerna,

Mostrando a sedução da fina perna,

Como num atrevido e doce jogo.

 

Também do braço se tirava logo

Promessa de carícia meiga e terna,

Feita concha, farol de chama eterna

Ou ondas de mar largo, onde me afogo.

 

O resto não se via. A vastidão

Da rubra cor tapava quase tudo,

Forçando a minha mente a adivinhar…

 

Senti-me, assim, levado em turbilhão,

Atrás da cor de lume, cego e mudo,

Numa fúria incontida de a agarrar.

 

 

Faro, 28-07-02

 

publicado por appoetas às 18:22

Junho 29 2010

UM POUCO SÓ

Tito Olívio

 

 

Um pouco só de nada é já bastante

Para quem desse nada pouco tem.

Sou generoso a dar-me como amante

E não me retribuis como convém.

 

Se neste dar-me todo sou constante,

Talvez me mova o ver o teu desdém,

Que quebra no momento o doce instante

Da esperança que amarga e sabe bem.

 

A dor de bem-querer é privilégio

De quem sabe chorar uma canção.

Porém, amor, ó alma descuidada,

 

Se o cansaço põe fim ao sortilégio,

Não me venhas depois pedir perdão,

Pois já não quererei pouco nem nada!...

 

 

(Colocado por Maria Ivone Vairinho)

 

publicado por appoetas às 11:13

Junho 16 2010

AMIGOS

 

 

Amigos que comigo se cruzaram

Nas ruas da existência, com calor,

E à minha vida deram sal e cor,

Nas curvas do passado evaporaram.

 

Douraram minha infância e jogaram

Jogos que só a idade dá valor

E adolescente já, mágoas de amor

Comigo comungando, partilharam.

 

Felizes tempos foram!... De olhos postos

Nos anos que passaram, os seus rostos

Sumiram como o sol entre os vitrais.

 

Quanto vos devo pago com saudade…

E agora, que cheguei a esta idade,

Lamento não saber aonde estais.

 

 

Faro, 05-06-2010    16h28

Tito Olívio

publicado por appoetas às 16:42

Maio 20 2010

É triste o acabar da relação,

Que já nasceu de forma desigual.

O meu amor por ti foi carnaval,

Que dura só três dias de ilusão.

 

E tu, mulher, devota em doação,

Da grande dor vestindo o avental,

Caíste do teu sonho no real

E em lágrimas meteste o coração.

 

Bebi teu fel no pranto de amargura

Com a alma pintada noite escura

E quis fugir dali, fugir de nós.

 

Durante toda a vida, arrependido,

Nunca mais esqueci o amor perdido,

Tendo por companhia dor atroz.

 

(in:”E Depois do Amanhã?”)

 

Tito Olívio

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:32

Maio 20 2010

(Á poetisa Glória Marreiros)

 

Não vivo do passado, da saudade,

Como filme que corre para trás,

E o gosto de viver é que me faz

Desfrutar do sabor da minha idade.

 

Concentro no presente esta vontade

De inda poder mostrar que sou capaz

De cavalgar no tempo útil, fugaz,

Como veleiro ao vento, em liberdade.

 

O presente e o futuro são a meta.

Sou feliz por amar e ser poeta

E em prata do luar ter a raiz.

 

E depois do amanhã? pouco me rala.

Enquanto cá andar, ninguém me cala

E contas presto a Deus, que é o juiz.

 

(in:”E Depois do Amanhã?”)

 

Tito Olívio

Postado por Liliana Josué

 

publicado por cantaresdoespirito às 23:30

Maio 02 2010

 

 

  

            DIA DA MÃE

 

          Sou eu que trago rosas

           Para todas vocês,

           Mães deste mundo,

           Que amais os vossos filhos,

           Por eles sofreis

           E, no fundo,

           Dais muito mais que recebeis.

            

           Sou eu que trago rosas

           Para todas vocês,

           Que sentiram a dor do nascer

           E puseram no sofrer

           A dor da esperança,

           Porque o melhor do mundo

           É a criança.

            

            Sou eu que trago rosas

            Para todas vocês

            Neste dia singular,

            Que sendo um só dia

            Não lhe tira a alegria

            Do eterno verbo amar.

            

            Faro (Portugal), 2-04-2010

 

publicado por appoetas às 23:16

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